segunda-feira, março 21, 2005

O lugar da casa


Posted by Hello
Uma casa que fosse um areal
deserto; que nem casa fosse;
só um lugar
onde o lume foi aceso, e à sua roda
se sentou a alegria; e aqueceu
as mãos; e partiu porque tinha
um destino; coisa simples
e pouca, mas destino:
crescer como árvore, resistir
ao vento, ao rigor da invernia,
e certa manhã sentir os passos
de abril
ou, quem sabe?, a floração
dos ramos, que pareciam
secos, e de novo estremecem
com o repentino canto da cotovia.

Eugénio de Andrade

3 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Escolhi este para escrever...mas os três poemas são divinos!
Com tanto de sentir talvez só a dizer,guardei...e,obrigada.
Um abraço
Ana

6:42 da manhã  
Anonymous Carriço said...

Excelentes escolhas...

Uma boa semana!

12:45 da tarde  
Blogger ringthane said...

Muitas coisas

Não é uma coisa só,
São muitas coisas nuas.

Não é o desabar de uma casa.
É percorrer os seus escombros.

Não é aguardar por um filho.
É voltar a sê-lo.

Não é penetrar em ti.
É sair de mim.

Não é pedir-te que faças.
É fazer-te.

Não é dormir lado a lado.
É estar jacente de mãos dadas.

Não é ouvir vento e chuva.
É franquear-lhes a cama.

E relâmpago que pela terra se funde.

- António Osório

5:59 da tarde  

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